terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ego no centro

É incrível a mania de perseguição das pessoas. Acham que tudo é sobre elas, tudo as envolve, tudo o que está escrito é para elas. Afinal, o ego se machuca se o que está lá não é destinado a elas ou a algo que as diga respeito?
Aos inseguros resta a ilusão de que ainda são lembrados pelas pessoas.

Poema que paira

Poema das sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

- piada interna: posso declamá-lo com a língua presa ;)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Quão logo é agora?



I am the son
And the heir
Of a shyness that is criminally vulgar 
I am the son and heir
Of nothing in particular 

You shut your mouth 
How can you say 
I go about things the wrong way 
I am Human and I need to be loved 
Just like everybody else does 

There's a club, if you'd like to go 
You could meet someone who really loves you 
So you go, and you stand on your own 
And you leave on your own 
And you go home 
And you cry 
And you want to die 

When you say it's gonna happen now, 
When exactly do you mean? 
See I've already waited too long 
And all my hope is gone

A verdade?

Não sou nem um pouco controlada, nem um pouco equilibrada. Tenho uma casca que parece calma, quando, por dentro, sou apenas descontrole e desequilíbrio. Há um poço de imaturidade dentro de mim que transborda e derruba tudo quando ninguém está olhando, pois foi assim que aprendi: ninguém tem de aturar suas fraquezas. E se você escolhe demonstrá-las, elas poderão ser usadas contra você. Se um dia puder discorrer sobre tudo o que me foi jogado sobre os ombros, talvez alguém entenda. Mas não posso também, pois meus problemas são apenas meus. Acho patético jogá-los nas mãos dos outros.
Já desabei tantas vezes que tenho medo de desabar novamente, mas há momentos em que é inevitável. Por vários motivos. Um deles tem a ver com os "por ques", tantos, que eu quero perguntar, mas que não tem bem respostas. Dói saber que não foi um sentimento, mas qualquer outra coisa que nem você sabe explicar. Porque, por mais que não pareça, eu dependo dos sentimentos alheios quando eles se demonstram. Não busco aprovação nem elogios, mas não saberia viver sem eles. E descobrir que o que você acreditava ser um sentimento verdadeiro era, provavelmente, um encanto repentino, fere meu ego. Fere toda vez que penso nisso.

Mas eu já não sou uma adolescente, não posso sucumbir a minhas fraquezas simplesmente por ter de viver. E eu vivo por obrigação, não por prazer. Acho que a forma que encontrei de me controlar foi me agarrar às minhas obrigações para não cair. Afinal, não posso desabar na frente de uma multidão se pretendo existir por mais um tempo.
Iludo-me ainda com a ideia de uma companhia que possa me compreender a ponto de me suportar, para que eu não tenha mais de me controlar o tempo todo. Mas até que eu confie o bastante para mostrar como, na verdade, o que tenho de fragilidade é muito maior que o que tenho de sensatez, é preciso que eu mantenha uma casca. Você também tem a sua. Só que às vezes, tudo o que eu quero é me desequilibrar.

sábado, 21 de agosto de 2010

Posso dedicar?

Não, né?! Então tá. Ouve aí.
O baixo dessa música é tipo o meu favorito de toda a música pop já lançada ever, sem exageros, pena que o áudio deste clipe não esteja tão bom.



You pretend you're high
Pretend you're bored
Pretend you're anything
Just to be adored
And what you need
Is what you get

Don't believe in fear
Don't believe in faith
Don't believe in anything
That you can't break

You stupid girl
You stupid girl
All you had you wasted
All you had you wasted

What drives you on
Can drive you mad
A million lies to sell yourself
Is all you ever had

Don't believe in love
Don't believe in hate
Don't belive in anything
That you can't waste

You stupid girl
You stupid girl
Can't believe you fake it
Can't believe you fake it

Don't believe in fear
Don't believe in pain
Don't believe in anyone
That you can't tame

You stupid girl
You stupid girl
All you had you wasted
All you had you wasted
You stupid girl
You stupid girl
Can't believe you fake it
Can't believe you fake it
You stupid girl

Ironia capitalista

Estou a pintar minhas unhas com obsessão. A cor, obsessão. Agora tenho obsessão até nas unhas. Sinto-me completa.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Engraçado

As pessoas pensam em si como detentoras apenas de qualidades quando decidem criticar as outras. Para criticar, deve-se obedecer a seguinte regra: não fale daquele defeito que você também tenha. A minha falta de amor próprio não significa que eu não tenha qualidades nem que eu não as perceba em mim. Aquilo que não aturo, inclusive, pode ser o que age em meu favor aos olhos do outro. Percebo minhas qualidades e percebo meus defeitos. Convivo com ambos e sei quais são. Antes de criticar, procuro ter certeza de que o ponto a ser criticado não será um fraco meu. Infelizmente, quase ninguém pensa assim antes de buscar atingir algo num intento abobalhado, por nem sequer saber no que está realmente mirando.

Excesso

Quando eu me sinto carregando algo em excesso eu choro. Sem motivo, só por cansaço ou porque há algo que não dá para explicar e que precisa sair de alguma forma. Sai no choro. Tenho umas melancolias sem fim, umas irritações explosivas, tudo vem do nada. Não tenho muita escolha a não ser me suportar. Talvez por isso me apegue tanto a quem está comigo, para não ter de ficar sozinha comigo mesma, para não ter de voltar a me suportar novamente. Mas é esse o meu eterno retorno. Voltar a ter de me aturar. Over and over again.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Não há

Não há ser humano que permaneça forte diante da saudade. Não há ser humano que permaneça forte diante da impotência. Não há ser humano que permaneça forte diante da morte daquele que nos faz falta. Não há.
Ontem eu mal fui capaz de reunir meus resquícios de força para trazer ao rosto um sorriso. Eu sabia que não conseguiria sorrir. Preferi me ausentar. Ausentando-me, fiz com que minhas lágrimas se ausentassem - ou que, ao menos, ficassem restritas a mim.

Constatação

Um conceito já está diferente, para não dizer errado, quando, depois de usado pela primeira vez, seu uso é, pela primeira vez, explicado. E, nesse sentido, posso até afirmar: toda enciclopédia é um amontoado de erros. E o que é o erro afinal?

Pena de nós mesmos

Os sentimentos nos fazem atropelar palavras, quando não somos atropelados por elas. Se ouvíssemos sempre nosso coração não nos comunicaríamos, então nos apegamos ao que acreditamos ser a razão e não é preciso muito esforço para, daí, nascer a hipocrisia. Não é difícil reconhecer os hipócritas. O problema é que, normalmente, já é tarde quando os reconhecemos, e razão e coração deixam de se entender.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Uma reflexão

O ser humano fala mais daquilo que não conhece que daquilo que conhece. Porque o que está desvendado já não é interessante. Por isso, o ser humano fala tanto do amor e da morte. São dois mistérios sobre os quais praticamente nada ainda foi revelado. Não conhecemos o amor e não conhecemos a morte, mas ainda assim temos de passar, iminentemente, por ambos. E por mais que o homem não entenda nada desses dois assuntos, ele reconhece quando passa por eles. Ele sabe que o amor está por perto e ele sabe que a morte virá. Mas é, de fato, desesperador ter de passar por isso sem conhecer os mecanismos, sem poder racionalizar nem explicar. É tão desesperador quanto é humano.

domingo, 15 de agosto de 2010

And another quote

For love is no part of the Dream-world. Love belongs to Desire, and Desire is always cruel. 
(Neil Gaiman) 

Quote

There's a theory, one I find persuasive, that the quest for knowledge is, at bottom, the search for the answer to the question: Where was I before I was born. In the beginning was what? Perhaps, in the beginning, there was a curious room, a room like this one, crammed with wonders; and now the room and all it contains are forbidden you, although it was made just for you, had been prepared for you since time began, and you will spend all your life trying to remember it.
(Angela Carter) 

sábado, 14 de agosto de 2010

E mais

Como tive a sorte de conhecer o amor necessário, tive também a de conhecer amizades verdadeiras. Isso me basta para viver.